Brincando de Sala de Aula na Era Digital
11/01/2017

Brincando de Sala de Aula na Era Digital

Brincando de Sala de Aula na Era Digital
Sala de aula, dinâmica, interação, Google Expedition, G Suite For Education, Realidade Virtual, Vídeo, Escola, Brincar, Criança

Mãe vamos brincar de sala de aula?

Topa ser minha aluna...

E essa brincadeira foi maravilhosa..

Convido meus amigos de perto e de longe e todos os professores e amantes da educação e das crianças a curtirem comigo como a história se desenrolou. Acredito que vale a tempo.

O brincar de sala de aula dos nativos digitais

Se eu lhe convidar a pensar nas brincadeiras que você fazia na sua infância, existe uma grande probabilidade de que você pertença ao grupo das crianças que pelo menos uma vez na vida brincou de escola, onde tenha sido professor ou aluno.

Quando eu era criança morava numa comunidade interiorana do Rio Grande do Sul, na zona rural e a minha brincadeira de escola consistia em primeiro criar as paredes da escola com cepos de madeiras que eram utilizados para lenha e depois fazer os bancos, para os alunos, de tijolos, com os lugares marcados bem certinho para cada um sentar. O quadro ficava na frente (desenhado no chão com um galho seco). Depois da escola estar literalmente ‘construída’ rapidamente a brincadeira se iniciava e cada um tinha o seu lugar fixo para sentar (os tijolos) e prestar atenção no que a professora falava.

Hoje, com 43 anos, tenho um filho de 8 anos de idade e a inspiração para a produção desse texto é a experiência que vivi com ele no domingo do dia 18/09/2016.

No sábado anterior ao acontecido ele disse que queria brincar de escolinha e me dar uma aula no domingo pela manhã.

Agendamos então que esse seria o nosso primeiro compromisso da manhã, com horário certo para começar.

Às 5h45min fui acordada pelo meu filho com um beijo no rosto pedindo onde estava o carregador do meu celular ele precisaria para preparar a aula. Me disse que iria querer usar o notebook também. Disse a ele onde estavam os carregadores e ele foi procurar. Resolvi dar uma olhada se estava tudo bem e voltei para minha cama, afinal a minha aula só iria iniciar as 8h30min.

As 8h fui literalmente amassada pela pecinha que queria de todo jeito iniciar a aula. Fez até uma sessão de alongamento comigo para que eu estivesse bem disposta para a aula dele.

Quando chego na sala onde ele preparou o espaço para a minha aula, me deparo com um quadro branco com as tarefas escritas, o lanche preparado, os celulares prontos para o uso e o notebook conectado na televisão com um vídeo pronto para ser iniciado. 

Ganho um beijo gostoso e ele ansioso me convida para iniciar a nossa aula.

Sento no sofá e ele inicializa o vídeo. Para minha surpresa um ótimo vídeo sobre educação e que eu não conhecia. (eu trabalho com consultoria educacional e ele acompanha minha jornada).

Depois de assistir o vídeo ele gentilmente disse que me passaria o link se eu quisesse usar o vídeo nas minhas aulas com os outros professores, he he.

Agora vem a parte das tarefas que estavam no quadro. O vídeo instigava para os problemas do setor educacional e a pergunta que ele fez era o que eu achava que precisaria fazer para resolver esse problema. A tarefa consistia em escrever e depois desenhar o que sugeri.

A outra tarefa era fazer um desenho sobre o que eu mais tinha gostado de todo o vídeo.

Nessa altura eu já estava muito feliz pensando em todas as conexões que essa experiência já me permitia fazer com o trabalho de empoderamento dos professores, mudança de metodologia e uso de tecnologias em sala de aula que eu desenvolvo junto com os professores.

Porém, a nossa aula ainda não tinha acabado.

A próximo atividade foi no notebook. Ele me mostrou três sites educativos com conteúdos que ele queria que conhecesse e novamente disse que poderia usar com os meus professores  e, realmente um dos sites eu não conhecia. 

Depois ele me lembrou do site do Clube do Código.

Ai como toda a aula tivemos o tempinho para o lanche, a hora do recreio.

Na volta das atividades para a sala de aula ele quer me mostrar como fazer para editar dois vídeos tirando o som de um e colocando junto com a imagem do outro.

Olho para a tela do computador e ele já está com o CAMTASIA (software para captura e edição de vídeo) aberto e com um vídeo já disponível para edição na timeline da ferramenta (espaço onde editamos os vídeos). Ai ele coloca para gravar mais um.

Chamo a atenção dele pois até então pensei que ele estava com o meu notebook e, como estava sem muito espaço em disco a gravação dos vídeos estava deixando o meu note muito lento. 

Ele olha para mim e diz: 

- Mãe, é o note no pai!

Paro e penso em voz alta: 

- Mas o note do pai não tem o CAMTASIA. 

E ele todo sorridente com os olhinhos brilhando me responde: 

- Não tinha, eu baixei e instalei enquanto estava preparando a aula para ti.

Digo para ele que não deve fazer isso sozinho, pois pode instalar alguns vírus ou um software muito pesado em outro momento e ao mesmo tempo preciso desviar o olhar, assim olhando para trás vejo meu esposo observando a cena e juntos temos que dar um baita sorriso de quem diz:

Meu Deus, como eles são tão rápidos, pois ele aprendeu isso sozinho (contudo reforço de forma calma a necessidade de que ele nos informe do que está instalando nos próximos momentos).

Seguindo a história, ele salva um novo vídeo do Youtube e refaz o processo de edição para me mostrar como editar os dois vídeos e transformá-los num só.

Acompanho, faço perguntas e inclusive aprendo um novo recurso no CAMTASIA junto com ele.

Depois comento sobre a importância de sermos humilde quanto ao nosso conhecimento e estarmos sempre abertos a aprender com isso. Digo o quanto aprendi com ele, mas que ele também tem muito ainda que aprender.

Nessa troca também aproveito para dar algumas dicas a ele do CAMTASIA. Ele quer muito criar vídeos para um canal dele no Youtube e eu sinceramente não tinha ideia que ele já tinha esse nível de conhecimento da ferramenta de edição. Assim dou mais algumas dicas e ele fica fissurado.

E a nossa aula ainda não terminou.

Agora vamos para os celulares.

Ele já nos ouviu conversando em casa sobre o Google Expedition (um aplicativo do Google para realizar atividades educacionais guiadas com realidade virtual), mas ainda não o tinha utilizado. Ai como ele ama o espaço ele diz que vai me explicar como funciona o espaço.

Novamente ele tinha os dois celulares (meu e do meu esposo) configurados para rodar o Google Expedition com a expedição do espaço já conectada. Eu coloquei o Cardboard (óculos de realidade virtual de papelão (baixo custo) e ele foi me explicando sobre a lua, o sol e a nebulosa.

E assim iniciou o meu domingo. Ainda faltava concluir o trabalho.

A última pergunta que estava no quadro que ele tinha preparado com tanto carinho era a seguinte.

O que você aprendeu na aula de hoje?

E essa foi a pergunta que me fez querer escrever e compartilhar essa experiência e esse texto com vocês.

Eu aprendi que realmente precisamos brigar para que o processo educativo mude, para que as crianças tenham mais espaço em sala de aula para desenvolverem as suas potencialidades.

Meu filho hoje me inspirou a querer fazer muito mais do que faço, a deixar os medos de lado no sentido de compartilhar o que penso e o que sinto em relação a educação.

Reforçou tudo o que acredito no processo de educação: o uso casado de todos os recursos e a importância do exemplo.

Ele trouxe a prática de sua escola no processo de apresentação e sintetização do conhecimento e organização da aula, quando planejou as atividades.

Ele trouxe a vivência da tecnologia como ferramentas de apoio a aprendizagem.

Ele trouxe o uso de um conceito que chamamos de transmídia, ou seja o uso de todos os tipos de mídias, pois trabalhamos com papel, com quadro, pincel, caneta, computador, TV, Youtube, Celular, Aplicativo e realidade virtual. Simplesmente fantástico. E ainda se preocupou com o lanche (detalhe o bolo foi ele quem fez no dia anterior)!! Emocionante.

Ele, com 8 anos, trouxe para mim, que trabalho com tecnologia educacional há pelo menos 15 anos, dois novos recursos, um vídeo e um site que vou usar nas minhas atividades com outros professores.

Como não olhar para isso e pensar o quanto estamos atrasados nas práticas e metodologias das nossas escolas e o quanto estamos deixando de aproveitar o potencial dessas crianças.

Os professores têm aliados fantásticos em seu desafio com a tecnologia e se conseguirem fazer um trabalho híbrido e personalizado em sua sala de aula podem desenvolver o potencial das crianças e adolescentes, usar a tecnologia e não se sentirem sufocados ou ansiados frente a inovações tecnológicas que são diárias.

Se isso acontecer o ambiente escolar também vai mudar, a maioria das crianças irão se sentir mais capazes, mas ativas e mais envolvidas. Até mesmo o trabalho dos aspectos socioemocionais se torna mais prazeroso e mais leve pois o entendimento de que todos podem aprender com todos é uma arma maravilhoso para o aprendizado da colaboração, da cooperação e da humildade.

Meu desejo enorme hoje é de incentivar ainda mais meu filho, de empoderar literalmente as asas que ele tem para voar. Contudo isso precisa estar também alinhado a proposta que a escola trabalha, pois do contrário se tem duplos problemas futuros: deles pelo encantamento e desejo pela escola e da escola sobre como lidar com o conhecimento, a sede do novo e as atitudes frente a essas duas realidades, mas esse é assunto para outra conversa.

Há muito tempo que quero compartilhar essas ideias, essas práticas e esses questionamentos com mais pessoas, com pais e com professores e, essa vivência de hoje foi mais uma evidência da importância disso.

Entendi que olhando para a minha forma de brincar de sala de aula e para a forma como meu filho faz isso me possibilita compreender claramente o paradigma educacional que a maioria das escolas ainda adota (o meu brincar) e como a escola efetivamente deveria ser (o brincar do meu filho).

Aprendi hoje que preciso ser grata a meu filho por tudo o que ele me ensinou e que quero passar isso adiante.

Aprendi que a vida nos dá momentos lindos para nos inspirar e aprender sempre e que muitas vezes não aproveitamos esses momentos.

E, como compromisso quero tornar essa prática um momento sagrado: ter aulas com o meu filho, fico imaginando o que virá pela frente.

Assim não tinha como não registrar e compartilhar o que vivi e senti no dia de hoje.

Se você leu até aqui te convido a deixar um comentário e compartilhar essa história pois ela pode inspirar outras pessoas a pensar na importância de mudanças na educação e nas relações de aprendizagem.

Muito obrigada pelo teu tempo!!

#Família #Escola #Educação #Tecnologia #LiçãodeVida