Educação Descentralizada: caminho para a educação do futuro
06/05/2019

Educação Descentralizada: caminho para a educação do futuro

Educação Descentralizada: caminho para a educação do futuro

Quando pensamos em educação temos a consciência de que estamos para ver mudanças profundas na forma como aprendemos e como validamos o nosso conhecimento. 


Viemos de uma caminhada onde o conhecimento era algo precioso e era posse ou propriedade de algumas pessoas que o compartilhavam ‘professando’ o mesmo a aprendizes, constituído no início por uma minoria privilegiada. 


Os primeiros sinais da descentralização da educação começam a se mostrar quando a humanidade começa a ter acesso de forma mais distribuída aos livros impressos.


Já o advento da Internet nos apresenta um outro universo de possibilidade e descentraliza não apenas o acesso ao conhecimento como as possibilidades de desenvolvimento de nossas competências e das conexões com pessoas de qualquer lugar do mundo que podem contribuir com o nosso crescimento pessoal e profissional, ou seja nos joga para um  mundo de conexões inimagináveis, até então. 


Contudo esse poder de descentralização do conhecimento ainda é usado de forma muito incipiente, em especial pela GAP que existe nas competências dos profissionais da educação em conhecer e explorar os recursos digitais que nos permitem essa descentralização e pela burocracia que impera nas políticas públicas e processos administrativos e pedagógicos formais. 


Porém é preciso ter claro que educação não se refere apenas a educação formal, mas todo o processo que vivemos para continuarmos aprendendo em nossa vida pessoal e profissional, pois as mudanças geradas pela conjuntura atual, alicerçada de forma especial nas possibilidades digitais exigem um processo de educação para toda a vida. 


Infelizmente vemos nesses dois cenários, educação formal e educação para vida, um GAP enorme o que requer uma atenção ainda maior para esse cenário buscando formas de aproximar tanto o processo de desenvolvimento dos saberes quando a validação e constituição de um currículo único das pessoas que integre toda a sua experiência educacional e gere uma aproximação maior entre os mundos escolares, acadêmicos, profissionais e pessoais. 


É preciso entender que as possibilidades de descentralização dos conhecimentos, criação de conexões digitais e humanas e o trabalho colaborativo afetam sobremaneira a forma como aprendemos e nos desenvolvemos. 


Essa nova realidade faz com que uma criança desenvolva sozinha, na sua casa competências que nem mesmo seus professores dominam. Permite que profissionais desenvolvam novas competências que ainda não fazem parte do skill de suas profissões formais. Permite que a singularidade dessas experiências, trocas e buscas pessoais redesenhe infindáveis novas profissões, redesenhando o mundo do trabalho a partir de um novo design de aprendizagem.


Pois bem, como então validar ou acompanhar o desenvolvimento destas competências, buscando reconhecer os saberes que cada indivíduo adquiriu. 


A educação vai precisar avançar muito para que isso seja possível e vai precisar contar com um processo de avaliação descentralizada, que permita através de um meio seguro que as competências pessoais de cada indivíduo possam ser validadas, atores que acompanharam ou evidenciaram o desenvolvimento ou o uso dessas competências. 


Portanto, descentralizar  a educação é possibilitar que qualquer competência desenvolvida, seja em processos de educação formal, seja por experiência profissional, por viagens, por autodidatismo, por empreendedorismo, por imersões, projetos ou mesmo pelo pela singularidade das vivências pessoais possam ser validadas, ou seja é preciso não apenas descentralizar as possibilidades das pessoas buscarem a sua evolução educacional mas principalmente a descentralização do processo de avaliação e validação destes saberes. 


Descentralizar esse processo de avaliação na educação é podermos quebrar em pequenas competências os saberes que os indivíduos precisam desenvolver ao longo de sua vida e permitir que ele busque o desenvolvimento dessas competências nos diversos meios nos quais interage, tendo-se um processo que valide essas competências através de evidências seguras.


Isso possibilitará também aos atores envolvidos na educação formal flexibilizar as ofertas educacionais realizadas, pois ao invés de ter estudantes que efetuem um curso inteiro numa escola ou universidade, eles poderão buscar essas entidades apenas para desenvolver as competências que necessitam ou desejam. Isso com certeza irá gerar uma mudança significativa no nível de qualidade dos processos que serão desenvolvidos e irá otimizar em muito a jornada de formação de cada indivíduo, pois irá efetivamente possibilitar que as pessoas se desenvolvam através de uma educação personalizada.


Como podemos dizer que estamos caminhando para uma educação personalizada se os processos, cursos e design de aprendizagem ainda são massivos e centralizados. 


Educação personalizada requer que a educação seja descentralizada não apenas no seu fazer, mas em especial nos processos de validação das competências sendo realizado de forma descentralizada.


Que tal começarmos a pensar como vamos preparar nossas escolas, universidades, empresas e a nossa própria caminhada para essa nova realidade?