Profa. Dra. Marguit Carmem Goldmeyer

Profa. Dra. Marguit Carmem Goldmeyer

Profa. Dra. Marguit Carmem Goldmeyer

Nunca fiz assim, mas vai dar certo!

Ecoam, de muitas escolas, frases que provocam nuvens no céu educacional, como por exemplo a criticada, mas sempre de novo usada frase "Já fiz isso, por isso sei que não vai dar certo".

 Capacitação docente que não sopra um vento forte para afastar este tipo de pensamento, será apenas um "é vento" em vez de evento de formação, momento de desacomodação e de inspiração.

 Ventos sopram sempre! Senti-los ou não, admirá-los ou deles correr, é uma questão de opção. Um sopro da nossa boca já ajuda para mexer um pouquinho algumas folhas presas e amareladas pelo tempo. Sopros de vida: esse é o significado da formação continuada para mim!

Sempre aprendo, reinvento! Não lembro de ter saído de alguma capacitação dizendo "não aprendi nada", pois, a última opção, quando o programa não atingiu os objetivos propostos, é aprender como não se faz. Isso também é uma aprendizagem!

A questão é estar aberta para sentir o vento no rosto, na mente e no coração! A brisa suave traz as mensagens de palestrantes que vão ao encontro do que se acredita e por isso acariciam a alma. Todavia, ventos mais fortes inquietam, provocam a mente da qual borbulharão questionamentos e dúvidas, por isso amo ventos. Ventania? Talvez, parada num lugar seguro, só olhando os galhos balançarem e folhas voarem até possa ser romântico, mas como educadora, sei que não possa adotar a posição de espectadora. Preciso sair do meu casulo, ir ao vento, sentir a sua força, balançar, até tropeçar, cuidar para não cair e se cair, torcer para que haja por perto uma mão estendida.

É assim que funciona uma capacitação docente de verdade: ela, em alguns momentos, aprimora os pensamentos nos quais já acreditamos, complementando aquilo que já permeia o nosso fazer e que sempre precisa de toques de inovação; em outros momentos, ela nos incomoda, pois, aparentemente, destoa daquilo em que acreditamos e que, até então, consideramos como nossa verdade; e ainda, há situações em que precisamos de mexidas fortes para que não nos acomodemos e acreditemos que "somos bons". Podemos e devemos ser bons, porém, com a certeza de que sempre temos a aprender e que podemos nos tornar melhores como professores e como pessoas. Provavelmente, um dos segredos esteja no exemplo citado acima para a ventania: cair e enxergar uma mão estendida.

Humildade docente que nos permite cair, observar os motivos da queda e assim, aprender, levantar e seguir com nova energia. Só não erra quem não arrisca e não ousa mudar algo da sua prática. O educador apaixonado pelo que faz ousa na inovação, compartilha suas conquistas e seus erros, ensina e aprende com alunos e colegas e, por adotar esta dinâmica, sempre verá uma mão estendida para ajudá-lo, pois sopra , no seu convívio, brisas que encorajam os vínculos humanitários.

"Nunca fiz assim, mas vai dar certo!", é o sopro que dou às minhas aulas e é o vento no qual acredito e confio para que as mudanças na educação brasileira ocorram.